terça-feira, 3 de março de 2009

Eterna busca

A sensação é de estar parada no tempo, mas o tempo passa.

O coração bate. Cada vez mais cansado e descrente de que algo possa acontecer.

Apesar da pouca idade, o sentimento é de uma vida inteira nessa busca. Como uma eternidade.

De quem carrega as cicatrizes de uma separação e a esperança de que um dia as coisas dêem certo.

Hoje, o que eu sinto é que o amor não é pra mim.

E isso leva a crer que até mesmo a mais otimista das pessoas tem seus dias ruins.

Quem diria?

Ela tinha 10 anos e ele 13 quando se conheceram. Ele foi seu primeiro namoradinho. Filho de amigos da família. A relação durou exatos dois anos, interrompidos pela mudança dele para outra cidade. Ela nunca mais teve notícias.

A vida seguiu. Ela conheceu um piloto, se apaixonou e mudou sua vida por ele. Foram 30 anos de uma escolha e muitas renúncias. Anos sofridos. Anos doentes. Desistiu de viver. Tentou a morte algumas vezes, mas sem sucesso. Separou-se. E sem ter para onde correr, precisou recomeçar.

Voltou para sua cidade, para sua família. Voltou a escrever suas poesias. Recuperou o contato com antigos amigos e, com o tempo, a alegria de viver. E quando não achava mais que poderia voltar a amar, ele voltou. Hoje, com 75 anos.

60 anos depois. Juntos. E felizes.

Quem diria?

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Ponto final

Às vezes temos a nítida impressão de que falta alguma coisa. Vagamos no vazio e vamos levando as situações como quem acha que as coisas vão se resolver sozinhas e com o tempo. Daí, as relações ficam no ar. Mal-resolvidas. Abertas. Sem perceber que tudo o que precisamos fazer é colocar um ponto final.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

A cura

Existem pessoas que entram na vida da gente e não entendemos muito bem como, nem porquê elas permanecem. Na verdade nós sabemos. Elas permanecem porque nós queremos. No fundo dizemos para nós mesmos que uma relação acabou, mas estamos sempre arranjando desculpas pra justificar as recaídas que temos. Como se ignorássemos tudo o que passou e não pensássemos duas vezes quando existe a possibilidade de uma nova chance.

Só que chega uma hora que não existe mais desculpa. Não dá pra acreditar que as coisas serão diferentes, principalmente quando você já percebeu o quão diferentes as pessoas são. Não dá pra esperar algo a mais do que já se teve, simplesmente porque as expectativas são diferentes. É difícil, mas é preciso reconhecer que aquela relação tornou-se desarmônica e só lhe traz prejuízos. Simplesmente porque você espera mais do que o outro pode lhe dar. Mas ainda assim o outro vem e se alimenta de você, como um parasita, e você aceita e não reage, como um hospedeiro, cada vez mais frágil.

Chega de alimentar uma relação assim. A história se repete. E tem sempre o mesmo fim.

Insistir não vai fazer um final diferente.

É preciso livrar-se desse mal. É preciso buscar a cura.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

O abcesso

Havia um caroço. Começou pequenininho, ali, atrás do pescoço. No início não dava muito pra ver, mas eu sentia. Aquilo me incomodava. O tempo passou e ele começou a crescer. De início não dei muita bola porque no fundo achava que aquilo podia desinchar sozinho. Mas não foi o que aconteceu. A minha vontade de arrancá-lo fora também contribuiu com isso. E quando me dei conta, ele já estava enorme, e não havia tempo que passasse que o fizesse diminuir. Às vezes a roupa de ginástica machucava. E ele não estava bonito para estar nas costas de uma menina. Ele estava visível e inflamado. Aquilo doía.





Isso me fez lembrar algo parecido que meu pai já tinha tido atrás da cabeça, e que tinha tido que tirar por meio de uma micro-cirurgia. Comentei com ele, e ele ficou preocupado, claro. Marquei um dermatologista, mas estes médicos nunca têm horário para emergências. Então, decidi ir ao hospital em plena terça-feira de carnaval.





Na recepção o atendente perguntou se eu podia falar o motivo da consulta. Antes que ele falasse isso eu já estava pensando no que ia dizer. No fim das contas achei melhor dizer que tinha um caroço atrás do pescoço. Afinal, eu não sabia o que era de fato. E ele colocou na ficha: um abcesso.





Ao ser atendida o médico pediu que eu fizesse uma ultrasonografia para ver o que tinha dentro do nódulo. Fiz tudo como manda o figurino. Depois das idas e vindas pelo hospital, o médico concluiu que provavelmente aquilo era um cisto sebáceo que inflamou e se tornou um abcesso. E chamou a cirurgiã.





A cirurgiã me veio com duas opções: ir pra casa, tomar 7 dias de antibiótico, fazer compressa de água quente e caso não diminuísse retornar em 3 dias para drenar o nódulo. Ou, drenar o nódulo, e tomar do mesmo jeito o antibiótico, e mais 3 dias de anti-inflamatório. A diferença seria a intensidade da dor no primeiro caso, uma vez que o antibiótico já estaria fazendo efeito.




Mas a idéia de voltar pra casa sem ter resolvido o problema, não fazia sentido nenhum pra mim. Fiquei pensando quantas vezes na vida escolhemos a primeira opção pelo medo de sentir dor. Mas fato é, que adiar o sofrimento não evita que sintamos dor no percurso. E, pelo contrário, não resolver pode trazer complicações bem maiores e muitas vezes irreversíveis.




E então, sem titubear, eu respondi: "Vamos acabar logo com isso. Vamos drenar."

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Pesos e medidas

Todos perguntavam como quem já sabia a resposta, afinal passar o carnaval no rio seria o mais óbvio. E não era à toa que as pessoas se espantavam quando eu dizia que não. E faziam uma expressão de desespero quando eu dizia que ficaria por aqui. Se eu pudesse ler pensamentos diria que eles achavam que eu não ando lá muito sã.
Na verdade, acho que nunca estive tão lucida.

Confesso, voltei da última viagem à cidade maravilhosa decidida que ficaria um bom tempo sem visitá-la. Faz parte do meu processo de adaptação. Do meu desapego ao Rio de Janeiro. É o meu jeito de tornar as coisas mais fáceis e me sentir de fato dessa nova cidade. E, de fato, sinto-me cada vez mais daqui. Mudei de casa. Escolhi um time paulista pra torcer e às vezes acho até que estou perdendo meu sotaque. Mas meus amigos falam pra eu ficar tranquila que eu continuo chiando bastante e eu fico feliz em ouvir isso. :)

Outro ponto é o meu estado de espírito nos últimos tempos. Estou tão feliz e serena com a minha mudança de casa, de bairro, de vida, que ficar aqui no carnaval era mais uma oportunidade para aproveitar o lar e conhecer a vizinhança. Corridinhas no parque, cineminha, caminhadas pelos arredores, farmácia, mercado, até hospital eu conheci, e o melhor: tudo a pé. Sem dúvidas, a oportunidade perfeita para descobrir o que fazer quando não se tem nada pra fazer. E para conhecer ao que se pode recorrer quando necessário.

Além disso, não podemos esquecer o fator dinheiro. Gastei bastante para deixar o lar do meu jeito. E acho que na vida a gente precisa fazer alguns sacrifícios. E eu abri mão de passar um carnaval em qualquer outro lugar para ter a minha casa do jeitinho que eu quero o ano inteiro.

Eu tenho os meus motivos. Legítimos. Mas eu entendo a cara de espanto das pessoas. Pra quem está de fora, talvez não faça tanto sentido como pra mim.

Mas não é tão preocupante assim passar o carnaval em São Paulo. É só uma questão de pesos e medidas.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Em cima do muro

Fazer escolhas. É o que fazemos o tempo todo.

O que precisamos aprender é a nos responsabilizar por elas. Não é uma questão de julgamento. De certo ou errado. Mas de assumir o que queremos para nós. Buscar e fazer acontecer. Devemos seguir nosso coração, fazer o que acharmos melhor e assim tentar viver a vida de uma forma leve. Mas para isso precisamos assumir nossa posição, ter consciência e estarmos preparados para agüentar as consequências.

A vida não tem manual, nem macete. A gente erra tentando acertar e muitas vezes acerta sem nem pensar. Não há vergonha nenhuma em olhar para trás e perceber que talvez aquela não tenha sido a melhor escolha. Mas foi a sua escolha naquele momento. Aquela pela qual você acreditou e lutou. Fez a sua parte. Além do mais, é assim que crescemos, que nos desenvolvemos.

Também precisamos entender que existem pessoas ao nosso redor. E que sim, uma ação nossa reflete sim em outras pessoas. Assim, não cabe a nós somente olhar para o espelho ou para o próprio umbigo. Vamos olhar para os lados e nos policiar para que nossos atos não prejudiquem ninguém. E ainda, vamos olhar para os lados e estender as mãos a quem está ao nosso redor.

A física explica. Ação e reação. Se queremos falar, devemos estar preparados para ouvir. Não vale se esquivar ou jogar a culpa no primeiro que aparece na sua frente. Ou ainda dar uma de "joão sem braço". Nós somos responsáveis. Nós guiamos a nossa vida. Nós devemos tomar as rédeas das situações. Não vale esperar a lua cheia, o vento ou a maré. Nós decidimos. E, definitivamente, em cima do muro é um lugar que não existe.