São 10 meses aqui. Tanta coisa já aconteceu. Tantas fases. Boas, ruins. E com certeza, a sensação é de bem mais que 300 dias. Tudo muito intenso. Alegria, tristeza. Encontros, desencontros, despedidas. E ainda hoje me emociono cada vez que me despeço dos meus pais quando eles vêm me visitar. Difícil. Talvez vá ser sempre assim. Ou não. Talvez seja o meu momento: muito solitária.
A verdade é que era mais fácil ser sozinha no Rio. Perto do mar e da minha família. Mas ainda assim, quando me perguntam se eu penso em voltar pra lá, eu digo seguramente que não. O vazio me acompanha aonde quer que eu vá. Não é nada novo. É como se faltasse um pedaço. É uma busca pelos meus sonhos. De formar a minha família. E quando isso acontecer, acho que tudo vai ganhar cor. Vai ganhar vida. Vai ganhar sentido. Mas enquanto isso não acontece, é uma busca. Apenas isso. E nessa busca, vou tentando aprender o que eu preciso aprender.
E aí, estar sozinha estando sozinha nessa cidade é bem mais doloroso. E acaba fazendo parte de um processo longo e difícil dessa mudança. É como zerar a sua vida depois de vivê-la 23 anos, tendo que recomeçar. Tudo do zero. Deixando lá todas as pessoas importantes de sua vida. Mas carregando toda a sua história na bagagem. É quando você vê que aonde quer que você vá, as histórias se repetem. É quando vemos que por n razões, explicadas em sessões de terapia, a gente acaba se sabotando. E acaba confirmando a nossa crença ao estarmos sempre sozinhos. E é isso que deixa tudo muito confuso. Pois no fundo, inconscientemente, você se coloca nessa situação. E você se pergunta: o que eu preciso aprender com isso?
A resposta não está no livro. A vida ensina aos poucos. Até que um dia a gente olha pra trás e ainda consegue rir de tudo isso. Mas, ter consciência disso é o primeiro passo. Ao menos você percebe que a terapia serviu para alguma coisa. Aliás para várias. É comum eu me pegar me analisando. No fundo o melhor aprendizado é o auto-conhecimento. E assim vamos vivendo. Uns dias melhores, outros piores. Mas vivendo. Tentando melhorar o que dá pra melhorar. Tentando curar o que dá pra curar. Vivendo o que se tem pra viver e acreditando (ou querendo acreditar) a cada manhã que tudo está valendo a pena. Alimentando os sonhos que trouxe de lá e a esperança de que tudo vai dar certo. Sufocando a saudade e contando com a ajuda dos novos amigos para tornar esse vazio mais ameno. Pois pra isso realmente não tem remédio.
Talvez agora faça mais sentido eu gostar tanto de correr, de fazer exercício. É a minha válvula de escape. Minha distração. Minha injeção de endorfina. Meu vício. Minha droga pra passar por essas fases. E não é à toa que são nesses momentos que eu mais freqüento a academia. É isso que as drogas fazem: anestesiam a dor. Enquanto isso, eu espero essa fase passar. Elas passam. Sempre passam. Espero que um dia, de vez.
Afinal, o que não tem remédio, remediado está.